*CLAMOR DO GUARDIÃO ENFERMO - Ao Magistrado de Costa Marques*
Processo: 7001910-95.2026.8.22.0016
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Meritíssimo, não venho como número,
Venho como homem quebrado.
Fui Policial Penal, fui o muro,
Fui quem guardou, hoje sou guardado.
De Rondônia vesti a farda,
Com a alma, não só com o pano,
Mas a mente, Excelência, tarda,
E adoeceu neste engano.
CID 10: F 31.2 me deram,
Bipolar, psicose, mania,
Não foi falta, foram
Dias de noite fria.
Doente, pedi tratamento,
Recebi transferência.
Doente, pedi alento,
Recebi perseguição, ausência.
Transferido de canto em canto,
Como castigo por estar doente,
Sem lotação, sem encanto,
Anotaram falta dolente.
Forjaram abandono,
Quem abandona a dor?
Forjaram o desabono,
Do guardião que implorou amor.
Fizeram um PAD viciado,
Sem ouvir quem delirava,
Julgaram o já julgado,
Puniram quem sangrava.
E assim me demitiram,
Do cargo que honrei,
E os salários que sumiram,
É o pão que não ganhei.
Por isso, Doutor Juiz, lhe clamo,
Não com letra fria,
Com a lágrima que derramo,
Há mais de dez anos, todo dia.
Não peço favor, peço Justiça,
Equidade e bom senso.
Não peço vingança, peço premissa:
Que o doente tem consenso.
Anule o PAD que é nulo,
Nulo de ódio, nulo de vício.
Traga de volta ao seu título,
O Policial do sacrifício.
Reintegrai-me à farda,
Que nunca abandonei.
Pagai o pão da minha casa,
Que nunca roubei.
Tenho 53 anos, quase idoso,
Incapaz, interditado,
Não sou perigoso,
Sou só um homem cansado.
Que Costa Marques veja,
Que a lei protege o incapaz.
Que o Estado de Rondônia esteja,
Diante de um Juiz sagaz.
Que a Superprioridade venha,
Que o MP venha fiscalizar.
Que a Justiça enfim detenha,
A demora de me matar.
Julga-me, Excelência,
Como julgaria um filho.
Com Justiça e clemência,
Tira-me deste exílio.
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*ELIOZANI MIRANDA COSTA*
Policial Penal - Matrícula: 300060689
PCD - CID 10: F 31.2
Costa Marques, 25 de agosto de 2026