Eliozani Miranda Costa
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A Carona

*A Carona*

 

De Rolim de Moura a Santa Luzia,

estrada reta, sol do meio-dia,

ela pediu carona, eu disse sim,

eu de moto, solteiro, sem fim.

 

Ela, professora, de beleza rara,

Miss Beleza que a cidade consagrara,

casada, encantadora, de olhar gentil,

pediu carona num gesto civil.

 

E eu, que nem namorada tinha,

sem maldade, sem segunda linha,

dei a carona com respeito inteiro,

capacete, estrada, o motoqueiro.

 

Não houve toque além do vento,

nem conversa além do momento,

só dois conhecidos na mesma direção,

e a estrada levando a explicação.

 

Mas quem nos viu na garupa, a passar,

já quis logo um romance inventar,

olhar que julga, língua que aumenta,

história que o povo sustenta.

 

Não houve caso, não houve beijo,

não houve nada além do desejo

de ajudar quem precisava ir,

e chegar bem, pra depois sorrir.

 

Foi só carona, de ida e paz,

respeito mútuo que satisfaz,

ela bela, sim, não vou negar,

mas belo mesmo foi respeitar.

Werneck Bellini
Enviado por Werneck Bellini em 19/08/2026
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