*A Carona*
De Rolim de Moura a Santa Luzia,
estrada reta, sol do meio-dia,
ela pediu carona, eu disse sim,
eu de moto, solteiro, sem fim.
Ela, professora, de beleza rara,
Miss Beleza que a cidade consagrara,
casada, encantadora, de olhar gentil,
pediu carona num gesto civil.
E eu, que nem namorada tinha,
sem maldade, sem segunda linha,
dei a carona com respeito inteiro,
capacete, estrada, o motoqueiro.
Não houve toque além do vento,
nem conversa além do momento,
só dois conhecidos na mesma direção,
e a estrada levando a explicação.
Mas quem nos viu na garupa, a passar,
já quis logo um romance inventar,
olhar que julga, língua que aumenta,
história que o povo sustenta.
Não houve caso, não houve beijo,
não houve nada além do desejo
de ajudar quem precisava ir,
e chegar bem, pra depois sorrir.
Foi só carona, de ida e paz,
respeito mútuo que satisfaz,
ela bela, sim, não vou negar,
mas belo mesmo foi respeitar.