Ela que não sabia de namoro
Ela não sabia de namoro,
sabia de respeito,
de casa, de princípio,
de amor com jeito.
Veio um menino,
de promessa rápida,
que não soube ouvir o "não",
que confundiu carinho com conquista.
Ela disse basta,
com a voz tremida,
mas com a coragem
de quem guarda a própria vida.
E depois do basta, veio o ruído:
"Será que todo homem é igual?
Será que amar é sempre ferida?
Será que o certo é não amar mais?"
O medo fez conta, generalizou,
pintou todos com a mesma cor,
e no cansaço de acreditar,
pensou em fechar a porta pro amor.
Pensou: melhor ficar só,
que mal acompanhada,
pensou em mudar a rota,
como tantas, magoadas.
Mas o espelho cobrou:
"Isso é seu ou é do medo?
Isso é desejo ou é defesa?
Isso é o que você quer
ou o que a dor te deixa?"
E começou a guerra,
silenciosa, por dentro,
entre o que sentiu,
e o que aprendeu crescendo.
Entre o princípio da casa,
e o grito do momento,
entre a fé que a guiava,
e o vento do ressentimento.
Menina, respira.
Nenhuma dor define destino.
Um homem que errou
não é todos os homens, menino.
Ficar só não é castigo,
é também um abrigo,
mas que seja escolha,
não fuga do perigo.
O amor não precisa ser
prova de vingança,
nem negação de si,
nem troca de esperança.
Você não precisa decidir hoje
quem vai amar amanhã,
precisa curar o limite
que um outro não respeitou.
Se reconstrua primeiro,
com calma, com carinho,
seu valor não está no outro,
está no seu caminho.
O tempo te ensinará
que amor não é pressa,
que respeito é base,
não promessa.
E quando voltar a amar,
seja homem ou não,
que seja por verdade,
não por contradição.