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Amor Bandido

Amor Bandido

 

Amor bandido não pede licença,

não bate palma, não manda aviso,

chega chutando a porta da razão,

com bota suja de estrada e sorriso.

 

Mira a cabeça, sem dó, sem pressa,

rouba o juízo, deixa o cofre vazio,

e faz refém o coração distraído,

que até então se achava tão frio.

 

É perigo vestido de desejo,

com jaqueta de couro e olhar matreiro,

alvo certo em curva traiçoeira,

onde todo freio é passageiro.

 

Onde a paz pede demissão na hora,

e o sobressalto aluga um quarto,

onde a vida vira fronteira eterna,

sem passaporte e sem horário.

 

Tem gosto de fuga nas madrugadas,

pneu cantando no asfalto molhado,

perfume caro misturado com fumaça,

cigarro aceso, motel barato.

 

É sussurro de "fica só mais um pouco"

quando o dia já vai clareando,

é mensagem que você apaga

mas responde tremendo.

 

Um jogo quente onde a regra é clara:

ninguém sai ileso, mas ninguém se safa,

todos perdem o sono, a calma,

e ganham um nome na tatuagem da alma.

 

É o abraço que acolhe e descarrila,

que te arranca do trilho, da linha,

o beijo com sabor de gatilho e paixão,

que mata a sede e te envenena todinha.

 

É crime perfeito sem delegacia,

é assalto sem arma, sem testemunha,

só dois loucos se olhando no escuro,

jurando que o mundo inteiro se apunha.

 

Duas almas marcadas na mesma cela,

sem chave, sem grade, sem perdão,

cúmplices perfeitos da própria prisão,

onde a cadeia é o colchão.

 

Amor bandido não quer liberdade,

quer algema de abraço apertado,

quer sirene de riso na cozinha,

quer fugir junto, pra todo lado.

 

Se um dia a polícia da vida chegar,

que nos pegue rindo, deitados,

condenados a amar sem medida,

cumprindo pena de abraçados.

Werneck Bellini
Enviado por Werneck Bellini em 19/08/2026
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