Amor Bandido
Amor bandido não pede licença,
não bate palma, não manda aviso,
chega chutando a porta da razão,
com bota suja de estrada e sorriso.
Mira a cabeça, sem dó, sem pressa,
rouba o juízo, deixa o cofre vazio,
e faz refém o coração distraído,
que até então se achava tão frio.
É perigo vestido de desejo,
com jaqueta de couro e olhar matreiro,
alvo certo em curva traiçoeira,
onde todo freio é passageiro.
Onde a paz pede demissão na hora,
e o sobressalto aluga um quarto,
onde a vida vira fronteira eterna,
sem passaporte e sem horário.
Tem gosto de fuga nas madrugadas,
pneu cantando no asfalto molhado,
perfume caro misturado com fumaça,
cigarro aceso, motel barato.
É sussurro de "fica só mais um pouco"
quando o dia já vai clareando,
é mensagem que você apaga
mas responde tremendo.
Um jogo quente onde a regra é clara:
ninguém sai ileso, mas ninguém se safa,
todos perdem o sono, a calma,
e ganham um nome na tatuagem da alma.
É o abraço que acolhe e descarrila,
que te arranca do trilho, da linha,
o beijo com sabor de gatilho e paixão,
que mata a sede e te envenena todinha.
É crime perfeito sem delegacia,
é assalto sem arma, sem testemunha,
só dois loucos se olhando no escuro,
jurando que o mundo inteiro se apunha.
Duas almas marcadas na mesma cela,
sem chave, sem grade, sem perdão,
cúmplices perfeitos da própria prisão,
onde a cadeia é o colchão.
Amor bandido não quer liberdade,
quer algema de abraço apertado,
quer sirene de riso na cozinha,
quer fugir junto, pra todo lado.
Se um dia a polícia da vida chegar,
que nos pegue rindo, deitados,
condenados a amar sem medida,
cumprindo pena de abraçados.