*Sala Clara*
Na sala cor de luz, tudo respira calma
Poltronas pretas esperam, firmes e acolhedoras
Não julgam o peso que chega
Só oferecem assento e hora.
Na escrivaninha, um caderno aberto
Páginas que guardam segredos sem assustar
E um notebook ligado, discreto
Que anota o tempo pra poder escutar.
Ela está ali:
Alta, de blazer cinza e blusa branca
Óculos que enxergam além da fala
Cabelos presos, pra mente não se trancar
Sorriso que desarma, relógio dourado
Que lembra: aqui o tempo é cuidado.
Nas paredes, quadros de folhas e águas
Lembrando que a gente também cresce
E no canto, um vaso com planta verde
Que teima em brotar, mesmo em vaso pequeno
Como a esperança que insiste dentro da gente.
Não é consultório. É abrigo.
Onde a palavra encontra chão
Onde chorar não é fraqueza
É regar a própria transformação.
E quando você sai, a porta fecha leve
Mas a sala clara fica dentro do peito
Porque ter quem escuta
É começar a se escutar direito.