Eliozani Miranda Costa
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SALA CLARA DA DOUTORA

*Sala Clara*

 

Na sala cor de luz, tudo respira calma

Poltronas pretas esperam, firmes e acolhedoras

Não julgam o peso que chega

Só oferecem assento e hora.

 

Na escrivaninha, um caderno aberto

Páginas que guardam segredos sem assustar

E um notebook ligado, discreto

Que anota o tempo pra poder escutar.

 

Ela está ali:

Alta, de blazer cinza e blusa branca

Óculos que enxergam além da fala

Cabelos presos, pra mente não se trancar

Sorriso que desarma, relógio dourado

Que lembra: aqui o tempo é cuidado.

 

Nas paredes, quadros de folhas e águas

Lembrando que a gente também cresce

E no canto, um vaso com planta verde

Que teima em brotar, mesmo em vaso pequeno

Como a esperança que insiste dentro da gente.

 

Não é consultório. É abrigo.

Onde a palavra encontra chão

Onde chorar não é fraqueza

É regar a própria transformação.

 

E quando você sai, a porta fecha leve

Mas a sala clara fica dentro do peito

Porque ter quem escuta

É começar a se escutar direito.

Werneck Bellini
Enviado por Werneck Bellini em 12/08/2026
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