*SEMENTE DE AMOR*
Thainá,
o nosso amor hoje é como semente
caída no chão seco.
Empoeirado, soterrado,
sem nome, sem festa,
quase invisível aos olhos.
Parece que nada acontece.
Que ficou pra trás, sujo, sem prestígio.
E quando vem a chuva —
as conversas, a distância, o tempo —
ele incha, pesa,
parece até piorar.
Tem hora que dá medo de ter apodrecido.
Mas é aí que a vida começa.
Porque semente não morre na lama.
Ela rompe.
Solta raiz miudinha,
depois caule,
depois folha que ousa encarar o sol.
E um dia vira árvore.
Grande. Forte. Sombra boa.
É assim que eu sinto por você.
Hoje pode não representar nada pra você,
mas ele existe.
Silencioso entre nós,
respirando baixinho.
Eu não tenho pressa de colher.
Só quero cuidar.
Regar com respeito,
com verdade,
com o olhar feliz que me dá
quando te vejo na igreja.
Se um dia essa semente florir em você,
que seja no tempo certo.
Se não for, que ao menos saiba:
plantei com carinho.
E árvore que nasce de amor
não pede nada —
só oferece fruto.
E você, Thainá,
com seus cachos, seu sorriso,
sua resiliência e a Geisa no braço,
já me ensina que coisa boa
precisa de tempo pra nascer.