Eliozani Miranda Costa
O DNA do Kararauto
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INDIAZINHA ASSANHADA

INDIAZINHA ASSANHADA

 

Ontem, aproveitei o feriado de carnaval e resolvi cruzar a mata, por um antigo carreador de madeireiro, dois quilômetros de carreador no meio da floresta virgem. A reserva legal dessa fazenda dá quase quinhentas equitares, muita mata mesmo. Fui colher pequi.

 

Eu nem sabia que na Fazenda vizinha morava uma família descendente de indígenas da etnia Sakirabiar. Mas quando cheguei no pequizeiro principal, o mais antigo, mais alto, mais grosso, percebi que não havia nenhum pequi no chão.

 

Achei estranho, em pleno treze de fevereiro, época que caem bastante, não ter nada no chão, além de alguns poucos frutos estrondados pela queda, e os caroços roídos pelos bichos selvagens.

 

Quem tinha pensado em voltar com saco cheio, o jeito então era não se decepcionar, era relaxar e voltar com o saco vazio.

 

Quando eu ia saindo, ouvi risos femininos, e fiquei meio surpreso. Pensei até que fosse assombração, ou espíritos da selva amazônica, mas parei pra tentar ouvir melhor e nada, silêncio.

 

Ouvi apenas o canto do pássaro popularmente conhecido aqui em Rondônia como "biscateiro", e outros pássaros regionais e os grilos e cigarras. Então pensei: Devo estar ficando louco!

 

Recomecei a caminhar e ouvi um assovio humano, parei novamente, fiquei ouvindo o som da floresta, nada mais, olhei para todos os lados e não vi ninguém. Na verdade eu nunca topei ninguém por ali, apesar de ter conhecimento que caçadores clandestinos vivem invadindo nossa reserva para abater pacas, catetos e até antas.

 

Fui insistente. O pensamento forte mandava voltar até o pequizeiro e observar melhor ao redor. Percebi que depois do pequizeiro tem uma moita fechada de uma espécie vegetal que se assemelha à bananeiras.

 

Quando apoiei a mão no pequizeiro observando fixo a moita, vi que as folhas balançaram, até me arrepiei, e minha mão esquerda quase foi atingida por uma flecha que crivou na madeira.

 

Quase que automaticamente, com a mão direita saquei do coldre a pistola 380 pensando descarregar ela naquela moita pra ver se imobilizaria o inimigo mesmo eu não estando avistando o alvo.

 

Eu não poderia permitir uma segunda flecha ser lançada em minha direção, poderia ser fatal. E quem iria me socorrer naquele local? Lembrei de alguns boatos sobre índios canibais nas proximidades aqui no Vale do Guaporé.

 

No entanto me contive, não disparei nem um tiro. A mocinha riu sem graça atrás da moita e perguntou: __ Você vai atirar em mim seu covarde? Respondi com outra pergunta: __ Você está louca menina? Quase me acertou!

 

Ela falou: __ Quero flechar você branquelo, mas é diferente.

Perguntei: Como assim? Quem é você?

Ela respondeu: ___ Não interessa quem sou, interessa o que eu quero!

 

Eu não estava entendendo nada, não conseguia ver ela, mas tinha plena consciência de que eu estava em perigo. Poderia estar na mira de uma adolescente maluca, tipo essas mocinhas de treze, quatorze anos que decidem fugir da casa dos pais para perder a virgindade com qualquer esteanho, e deixam a família em desespero procurando nas casas de familiares e amigos, procuram ajuda da segurança pública, noticiam na TV, na Rádio e nas Redes Sociais. Mas ela só aparece depois de realizar seu desejo, sem querer dar explicações do fato, apenas finge ter surtado. E fica por isso mesmo.

 

Pensei rápido, preciso me proteger atrás do tronco do pequizeiro, mas antes que eu desse o primeiro passo a estranha ordenou: __ Não se mova senão te acerto!

 

Vi que era preciso negociar, pois outra forma era impossível se escapar.

__ O que você quer menina? Perguntei meio assustado, mas tentando disfarçar o nervosismo.

__ Que você jogue a arma para trás o mais longe que conseguir. Faça isso agora, bem rápido.

 

Joguei minha pistola para trás receoso de que ela pudesse atingir algum tronco e disparar, podendo atingir a mim mesmo acidentalmente.

 

__ Agora coloque as mãos cruzadas atrás da nuca e se ajoelhe no chão de costas pra mim.

Caramba! Meu Deus! Será que ela vai me matar aqui nesse local de difícil acesso? Me protege meu Deus!

 

Não tinha como eu fazer nada naquele momento. De nada resolvia minhas habilidades marciais, nem a experiência com armas de fogo. De nada valia ali naquele momento, os tantos treinamentos nos clubes de atiradores esportivos. Só a mão de Deus poderia me livrar daquela tirana.

 

Obedeci as ordens, mas pensando que precisava descobrir logo uma estratégia para negociar com a misteriosa.

 

__ Não me mate! Faço tudo que você quiser!

__ Eu quero ser mulher, mas meu pai não permite eu namorar ninguém, até me tirou da escola!

__Seu pai é um idiota. Ele não pode fazer isso com você. Vou encher a cara dele de porrada.

__ Você conhece meu pai?

__ Não. Mas vou com você na sua casa pra conhecer ele e dar uma surra nele. Posso fazer isso por você?

 

__ Meu pai é homem mau. Já matou um rapaz só porque falou com o peão da Fazenda que ia me roubar.

__ Ele ficou preso por causa desse homicídio?

___Não! Ninguém sabe disso. Só meu pai, o peão, minha mãe, eu, e agora você. O rapaz está enterrado na margem do Rio São Domingos.

 

__ Você gostava do rapaz?

__ Não gostava, mas eu topava fugir com ele pra modo sair da casa de meu pai.

__ A família dele é de onde?

__ Não sei. Ele não tem família. Era órfão de pai e mãe desde pequeno. Foram vítimas de chacina. Ele vivia mundo afora de Fazenda em fazenda. Era indigente.

 

__Precisamos descobrir a família dele. Você me leva lá onde ele está sepultado?

__ Mas o que você vai fazer? Ele já se decompôs. Já faz três meses.

 

__ Vou colher um pouco de cabelos dele, para fazer o exame do ácido desoxirribonucleico para descobrir a qual família pertence, e tentar localizar os parentes mais próximos para que façam um sepultamento digno.

 

__ Mas você vai denunciar meu pai pra justiça?

___Não! A menos que você queira que eu faça isso.

__ Eu não gosto de meu pai, mas não quero que ele seja preso.

 

__ Por que não gosta de seu pai? Por ter matado o rapaz?

__ Não só por isso. Por outra coisa pior.

___Me conta o que foi que ele fez.

__ Mas minha mãe não pode saber.

__ Pode falar, confie em mim. Não vou contar pra sua mãe.

 

__ Meu pai tentou me estuprar quando eu tinha doze anos.

__ Como você se defendeu dele?

__ Falei que se ele fizesse isso comigo poderia me matar, senão eu mataria ele.

__ E qual foi a reação dele?

__ Ele me pediu desculpas, e nunca mais me importunou.

__ Você perdoou ele?

__ De certa forma sim, mas não confio mais. Ele não deveria ter tentado transar com a própria filha, ainda criança.

 

__ Mas por que você não deseja que ele seja preso mesmo depois de ter tentado te estuprar, e mais tarde ter matado seu namorado?

__ Não era meu namorado, apenas morava na mesma fazenda, e conversou bobagem.

 

__ Desculpe. Fui mal. Mas por que então não quer que seu pai safado seja preso?

__ Porque ele é o provedor da casa, e não quero ver minha mãe desamparada.

__ Mas se ele for preso, sua mãe passa a receber auxílio reclusão.

__ Seria assim se meu pai trabalhasse com carteira registrada.

__ Você está certa. Só contribuintes de baixa renda gozam esse direito ao ser reclusos.

 

__ Prometo não entregar seu pai para a polícia, nem contar seu segredo pra sua mãe. Mas quero lhe fazer um pedido.

__ O que você quer alemão?

__ Deixe eu me levantar. Meus joelhos estão doendo. Meus braços estão doendo.

__ Você não vai judiar de mim?

__ Claro que não. Não sou um homem covarde!

 

__ Então se levante. Não. Permaneça assim de joelhos e de costas pra mim por enquanto.

__ Por favor, deixe eu me levantar.

__ Você é casado?

__ Sou divorciado!

__ Tem filhos?

___Não!

__ Tem vontade ter?

__ Depende?

__ Depende ser com uma mulher rica e bonita?

 

__ Não é isso que eu quis dizer.

__ Você tem olhos azuis igual aos gringos dos filmes?

__ Sim, meus olhos são azuis. Você gosta?

__ O rapaz que meu pai matou também era branquelo de olhos azuis.

 

__ Qual era o nome dele?

__ Não quero fala.

___ Desculpe!

__ Quer ver meus olhos?

__ Agora não!

__ Posso me levantar?

__ Também não.

 

__ O que você quer então querida?

__ Nossa! Gostei disso!

__ De que?

__ Que me chamou de querida. Ninguém nunca falou assim comigo.

__ Mas saiba que você é querida pela família, pelos amigos, querida por Deus, e por mim que estou te conhecendo hoje. Apesar de você me colocar assim de castigo.

 

___ É verdade? Sou querida por você?

__ Sim claro!

__ Mesmo eu sendo indígena?

__ Sim. Tenho nada contra sua raça. Admiro e respeito nossos irmãos indígenas.

 

__ Então prova que sou querida por você.

__ Como assim provar ?

__ Faz amor comigo, tira minha virgindade, e me dá uma filha branca de olhos azuis!

__ Qual sua idade menina?

__ "O Amor e a Amizade não olha a Cor nem a Idade".

__ Onde você aprendeu isso?

__ Na página do Léo Nardo no Recanto das Letras. Sou uma leitora apaixonada pelo Autor. E ele parece muito com você.

 

Eu fiquei surpreso, pois ela estava falando de mim, que era minha leitora no RL, que até havia memorizado uma frase de minha autoria, mas não poderia revelar pra ela que sou eu o Autor a quem ela se referia.

 

Aquela proposta dela, confesso, mexeu comigo, mesmo sem eu ver ela. Imaginei que havia , o tempo todo, uma flecha apontada pra minha cabeça. Será que o Autor iria ser vítima de sua leitora adolescente descontrolada?

 

Antes que eu falasse alguma coisa percebi passos aproximando mais de mim, e algo pontiagudo encostou na minha nuca. Arrepiei todo.

 

__ Você quer morrer galego? Perguntou ela falando baixo no meu ouvido.

__ Por favor! Não me mate. Implorei indefeso.

__ Então deixe eu tocar em você. Não faça nada.

__ Agora se levante.

 

Levantei e ela me abraçou por trás e mordia meu pescoço, minhas orelhas, passava as mãos em meu peito, no meu rosto, e respirava ofegante.

 

Mandou eu descruzar as mãos que já estavam dormentes, erguer os braços, e ela puxou rápido minha camiseta pra cima, me deixando sem camisa.

 

Percebi que ela estava sem blusa, pois sentia seus seios roçar minhas costas, ela me abraçava apertado e beijava meu pescoço, alisava meu peito, me mordia.

 

Mesmo eu desconfiando que se tratava de uma adolescente, naquele momento, eu carente, ameaçado, não consegui resisti, fiquei excitado e falei:

 

__ Nossa! Isso é bom demais!

Ela falou: Não é só isso. Tem mais. Hoje deixo de ser menina.

 

E desceu a mão, desabotoou minha calça jeans, puxou o zíper até embaixo e passou a acariciar meu pênis que já estava erecto.

 

Ela me masturbou, e eu ejaculei nas mãos dela. Ela falou: __ Que delícia isso. Mas não quero só isso. Agora deite que vou tirar sua calça e roer seus pequis.

 

Então lembrei dos pequis que fui buscar e perguntei a ela:

 

__ Você achou pequis pequis?

__ Cale a boca e esqueça os pequis. Pense só na criança que vai nascer daqui há nove meses.

 

E foi assim que tudo aconteceu embaixo do Pequizeiro na fundiária da Fazenda Irmãos Costa.

 

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Werneck Bellini
Enviado por Werneck Bellini em 14/02/2024
Alterado em 29/10/2025
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